O que me interessa no amor, não é apenas o que ele me dá, mas principalmente, o que ele tira de mim: a carência, a ilusão de autossuficiência, a solidão maciça, a boemia exacerbada para suprir vazios. Ele me tira essa disponibilidade eterna para qualquer um, para qualquer coisa, a qualquer hora. Ele apazigua o meu peito com uma lista breve de prós e contras. Mas me dá escolhas. Eu me percebo transformada pelo que o amor tirou de mim por precisar de espaço amplo e bem cuidado para se instalar. O amor tira de mim a armadura, pois não consigo controlar a vulnerabilidade que vem com ele; tira também a intransigência. O amor me ensina a negociar os prazos, a superar etapas, a confiar nos fatos. O amor tira de mim a vontade de desistir com facilidade, de ir embora antes de sentir vontade, de abandonar sem saber por quê. E é por isso que o amor me assombra tanto quanto delicia. Porque não posso virar as costas pra uma mania quando ela vem de uma pessoa inteira. Porque eu não posso fingir que quero estar sozinha quando o meu ser transborda companhia. O amor me tira coisas que eu não gosto, coisas que eu talvez gostasse, mas me dá em dobro o que nunca tive: um namoramento por ele mesmo. O amor me tira aquilo que não serve mais e que me compunha antes. O amor tirou de mim tudo que era falta.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
E essa história de que temos de ser magras...
Quem foi que disse que a gente tem que ser magra pra ser feliz?
Não estou aqui defendendo que não temos que nos preocupar com nossa alimentação, nossa saúde. Mas queria saber de onde surgiu essa idéia absurda de que todas nós mulheres sempre “precisamos” emagrecer uns três quilinhos.
Será que houve uma convenção de costureiros onde esse acordo foi assinado?
Porque, afinal, quem gosta mesmo de mulher esquelética são eles, os costureiros e os estilistas de grandes marcas famosas e inacessíveis para a maioria de nós, mulheres mortais.
Há alguns dias vi a mulher melancia em um programa de TV e me peguei novamente com o mesmo pensamento que sempre tenho quando a vejo: nossa, que mulher gorda! Mas tenho que confessar que morri de inveja quando perguntaram a ela o que ela come e ela respondeu que ela gosta de comer mesmo. Disse que adora arroz, feijão, batata. E que come todos os dias! E os homens (na maioria) acham-na linda. Ou pelo menos gostosa.
E por falar nisso, volto à pergunta: quem gosta de osso?
Afinal, se pedirmos para um homem escolher entre a Juliana Paes e a Gisele Bündchen não nos resta dúvidas de qual delas ele escolherá!
E essa ditadura da magreza continua a nos assombrar, mesmo sem bons argumentos que nos convençam do contrário!
E você, qual prefere?
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